Texto de Sérgio Casoy


“Foram-se os dias em que bastava ao cantor de ópera aproximar-se da ribalta e cantar magnificamente sua ária principal para assegurar o sucesso do espetáculo e seu triunfo pessoal... (...)

Não me entendam mal. O canto continua sendo para mim a parte fundamental da ópera, merecedor das maiores atenções e cuidados. Mas seria no mínimo irresponsável fingir que o aspecto teatral da representação lírica não tem, nos dias de hoje, um peso importante no conjunto do espetáculo. Num mundo em que a imagem em movimento é constante e onipresente, onde as pessoas vêem televisão o tempo todo, acompanhando três a quatro novelas e assistindo no mínimo a um filme por dia, o público, principalmente o público jovem, passa a exigir, inconscientemente, que o teatro de ópera tenha o padrão mínimo de encenação a que está acostumado. (...)

Nos dias de hoje, creio que a expressão mais correta para definir esse profissional é “artista de ópera”. Não é suficiente ser apenas um bom cantor, como também não basta ter somente uma bela figura. Ao lado do estudo do canto, aprimorado por anos e anos de dedicação, o bom intérprete não pode descuidar de fazer teatro. Além de procurar compreender bem o libreto, de mergulhar fundo na intelecção do personagem e de seu lugar dentro da trama da ópera, deve saber mover-se com desenvoltura e naturalidade no palco. Assim como se estuda com dedicação um ornamento de canto ou o ataque correto de uma nota difícil, é necessário preparar com o mesmo carinho um gesto, um olhar, a forma de caminhar, a maneira de sentar-se. Assim como a expressão canora é colocada, na ópera, a serviço do drama, é fundamental que a expressão gestual seja colocada a serviço da música dramatizada. (...) ”

(escrito por SÉRGIO CASOY para Naomy Schölling)  
  



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